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Casal supera limitações e celebra 10 anos de cumplicidade

Casal supera limitaes e celebra 10 anos de cumplicidade

Diagnosticados com deficiência intelectual, Hermes Azi Moser, de 40 anos, e Rose Meire Mendes, de 38, vivem uma rotina normal dentro de suas limitações. Para eles, a condição não os impediu de viver uma história de amor que já dura 10 anos.

O casal se conheceu durante as aulas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Blumenau (SC), onde os dois nasceram e foram criados. Há quarto meses em Mato Grosso, frequentam a Apae de Cuiabá e já semeiam amizades.

Na tarde de quarta-feira (14), o casal conversou com o MidiaNews e contou um pouco do que é viver o amor com todas as limitações que a vida lhes impõe.

Hermes foi o primeiro a sair da sala de aula. De longe, avistou a reportagem, mas só se aproximou quando Rose Meire saiu de outra sala. Eles estavam em horário de estudos.

Após as apresentações, ele perdeu a vergonha e desandou a falar. Já Rose Meire ficou mais quieta, observando o amado, sempre com um sorriso no rosto.

“Eu a conheci na Apae, a gente estava numa oficina quando olhei para ela e ela me olhou. Foi aí que começamos a paquerar”, lembra.

Recordar o episódio arrancou risadas do casal. “Depois eu fui até a casa onde ela morava, falar com os pais dela. Disse que queria ficar com ela", recorda.

Rose Meire lembra que a mãe chegou até ela dizendo que o rapaz queria se casar e que só dependia dela aceitar. “Aí eu aceitei, né, fiquei tímida antes”.

“O que mais gostei foi da beleza. Ela é muito linda”, diz Hermes. Rose Meire pensa o mesmo do marido.

Sobre o ciúme, normal na maioria das relações, eles afirmam que na deles não existe. Mas que, como a maioria dos casais, nas tarefas domésticas o companheiro não costuma ajudar muito.

“Ele gosta é de cozinhar”, diz ela, quase sem conseguir terminar a frase, sendo interrompida por Hermes.

“Eu sei cozinhar, desde pequeno minha mãe me ensinou a cozinhar. Eu sei fazer arroz, bife e até churrasco”.

Ele é flamenguista e ela corinthiana. "Quando tem jogo, aí é que o bicho pega", ele avisa.

Mas, apesar de algumas diferenças, eles vivem um relacionamento de cumplicidade. "A gente se ajuda. Eu não vivo sem ela".

Saudades do mar

O casal está há quarto meses em Cuiabá. Eles vieram de Santa Catarina após a morte do pai de Hermes.

Os irmãos dele moram aqui, e, por isso, já conhecia a cidade. "É muito quente, mas estamos nos acostumando”, explica.

Em Santa Catarina, eles chegaram a morar no litoral. “Era só a gente sair de casa que já pisava na areia. Passava o dia no mar”, recorda.

“Estamos com saudade do mar”, diz Rose Meire.

Além de uma das irmãs de Hermes ser tutora do casal, eles ainda contam com o auxílio de Maria Conceição, apelidada de “Baixinha”.

“Ela mora com a gente e nos ajuda muito. Ela é quem cuida de nós dois. Às vezes a gente sai para passear para ela viver um pouco fora dos nossos cuidados”.

O tutor é uma função atribuída por um juiz a uma pessoa que possa cuidar, proteger, zelar, orientar e se responsabilizar pelos bens de alguém considerado incapaz judicialmente, como é o caso dos deficientes intelectuais.

Desafios

Apesar de estarem há pouco tempo na Apae Cuiabá, os dois já adoram o ambiente, os professores e os colegas.

“A gente gosta de vir aqui, de ler, escrever e estudar. Os professores são legais e cuidam da gente”, diz Hermes.

A deficiência intelectual, segundo a Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento (AAIDD), caracteriza-se por um funcionamento inferior à média do QI.

Isso faz com que a pessoa desenvolva limitações, sendo de comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, por exemplo.

No dia-a-dia, a pessoa com a deficiência intelectual tem dificuldades para aprender, entender e realizar atividades comuns para outras pessoas.

A deficiência é resultado, quase sempre, de uma alteração no desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação e outros.

Sobre preconceito, o casal afirma que nunca sofreu nenhum tipo de discriminação diretamente e que, se sofreu, nunca ficou sabendo.

Atualmente a Apae Cuiabá conta com 202  estudantes - 140 estão na fase de escolarização e outros 62 em fase de estimulação.

A Apae Cuiabá sobrevive, também, por meio de doações. Para saber como ajudar, entre em contato nos números 3322-8853 ou 3322-8128.

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